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Ele recuperou na dança a auto-estima, encontrou uma profissão, a realização pessoal e se tornou um dos melhores professores do Brasil.
Carisma, simplicidade, alegria e força. Espírito empreendedor, jeito moleque e irreverência é como se resume Inácio Loiola de Souza Júnior, 39, mais conhecido como Moskito. Esse virginiano, nascido em 12 de setembro em Carapicuíba, Grande São Paulo, possui um humor único.
Moskito cresceu na periferia de Osasco, onde ganhou esse apelido quando cursava a 4ª série primária. A molecagem escolar deu origem ao seu nome artístico. Rindo, ele lembra que não queria ter mais aulas, quando tocou o sinal do intervalo tramaram em trancar a porta e colocar palitinhos na fechadura para todos serem dispensados. Na volta do recreio a professora disse: - Tudo bem, mas para irmos embora preciso da minha bolsa e a mochilas de vocês! Havia uma janelinha pequena acima da porta, quando todo mundo olhou para o menino miudinho, magrinho e o chamaram de “mosquito”, Inácio ficou muito bravo, mas passou pela janela e abriu a porta. Daquele momento em diante o apelido pegou. Anos depois, conheceu Vladimir Udiloff que o orientou a utilizar o mosquito com K. “Minha vida mudou depois do “K”. Além da projeção profissional, posso afirmar que sou o “Moskito” e não aquele da “dengue” brinca.
Sua trajetória até aqui foi de muita luta. Júnior como é chamado em casa, conheceu a dança aos 11 anos. Era o mascote da turma, além é claro o menorzinho e porque não um mosquitinho!? Freqüentava os bailes na periferia ao lado da namorada. Como não queria ver a gata rodando nos salões nas mãos de outros, foi aprender a dançar. Desde então, não parou mais. O jovem Inácio Jr. sempre muito trabalhador, era metalúrgico e a noite adorava ir aos bailes. Mas enfrentou um período muito difícil em sua vida. Foi quando ficou desempregado durante mais de um ano e entrou
Emocionado e com lagrimas nos olhos, Inácio Loiola e não o artista Moskito, nos confidência. “Fui usuário de drogas e não me orgulho disso, mas hoje sou um vencedor em todos os sentidos A dança mudou muita coisa na minha vida, uma delas foi aprender a vivê-la. Você conhece outras pessoas e vê que existem problemas piores que os seus e eu percebi que estava ajudando essas pessoas, aí pensei! Se consigo ajudar outras pessoas porque eu não me ajudo?”.
O seu início no universo da dança se deu pela falta de homens nas aulas de dança e a convite do amigo Paulo Magalhães, começou a ajudar nas aulas de pagode
Por meio desse aprendizado desenvolveu uma metodologia para o samba rock. A partir daí, surge o professor Moskito e suas primeiras aulas foram na academia Strapólos, de Roberto Mendonça. Em suas aulas iam pessoas de diversos lugares de São Paulo para aprender o ritmo nascido na periferia. Foi quando Mara Santos foi até Carapicuíba filmar sua aula a pedido de Celino Fernandes que o levou para dar aula no Avenida Club. Neste momento, descobriu que aquele era o melhor lugar para mostrar seu trabalho e expandir a cultura urbana da periferia de São Paulo, o Samba Rock.
O convidou para integrar o projeto família Negritude – atual instituto Casa da Gente – onde deu aulas para crianças. Naquela época tiraram algumas crianças das ruas, através da dança. Muitas não tinham o que comer e para suprir esta necessidade, o projeto promovia festas beneficentes para arrecadar alimentos e distribuir entre famílias necessitadas. O baile era intitulado Festas dos Bacanas. Montou também, uma companhia de dança chamada Samba de Rua e Cia.. Com ela participaram de concurso e festivais intencionais com o samba pagode, axé e claro samba rock. Moskito dança diversos ritmos, embora tenha preferência pelo samba rock. Os jovens dançarinos intitulam como conservador do samba de raiz. “É o que sou! Os dançarinos atuais utilizam toques de espetáculos. É lindo! Para shows eu sou favorável, mas entendo que a renovação existe desde que tenha técnica e didática. Para dançar a dois tem que ter condução”.
Aos poucos o que era um sonho distante se torna realidade e Moskito abre portas para apresentar o seu trabalho. As oportunidades aumentaram ainda mais, depois de conhecer o cantor Bebeto e a banda Club do Balanço.
No ano de 2000, veio o reconhecimento dos profissionais da dança. Foi convidado para dar aula no Espaço Andrei Udiloff e assim foi entrando nas escolas de dança de salão de São Paulo. Em 2004, recebeu o convite da gravadora TNT Records, onde gravou seu primeiro vídeo-aula de samba rock, com duração de 40 minutos de passos básicos e intermediários.
Hoje, o especialista em samba rock Moskito dar aulas particulares e ministra workshops em todo o país. Dar aulas nas academias, Andrei Udiloff, Celso Vieira, Jaime Arôxa - Campo Belo e Stella Aguiar. “Gosto tanto de dar aulas, me faz tanto bem que não me imagino sem fazer”, diz ele.
Com o reconhecimento profissional, participou de diversos programas de televisão, como: Altas Horas, Domingo da Gente, Mais Você, Melhor da Tarde, Almoço com as estrelas e foi entrevistado no programa do Jô.
Na luta para conquistar seu espeço e desenvolver o seu trabalho, Moskito é também um divulgador da cultura urbana da cidade de São Paulo e das tendências blacks. Por meios de seus projetos quer levar um pouco da história e os movimentos que surgiram ao longo dos anos para o cenário nacional e internacional. Fundador do Projeto Dançar ao lado de Tony Hits, hoje somente coordena o projeto. Atualmente se dedica às aulas e à sua produtora e garante que para 2006 terá muitas novidades. Uma delas será o encontro nacional de samba rock no segundo semestre e a outra, um vídeo-aula, “que revolucionará o mercado com idéias inovadoras”, diz entusiasmado. ♪
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